Agora eu acredito na supremacia do trem. Tá certo, viajando de trem você demora mais do que de avião, mas aqui estou eu, instalado em um assento espaçoso depois de uma visita ao vagão restaurante para pegar um sanduíche recém feito que comi deitado em um sofá. Tem coisas para ver pela janela, tem WiFi e se economiza bastante tempo e estresse por não precisar lidar com aeroportos: que são, de longe, os espaços mais hostis construídos pelos seres humanos.
Meu passe Interrail também já me salvou de alguns infartos. Saber que é tão simples quanto pegar o próximo trem caso eu perca uma conexão não tem nada a ver com o sufoco de correr pelo aeroporto de Doha para alcançar o próximo voo. Eu achava que viajar de trem pela Europa era algo mais de adolescente, mas a flexibilidade de poder subir em quase qualquer trem me deixou muito tranquilo.
Isso também me permitiu rever amigos e visitar lugares que eu já queria conhecer fazia tempo. Das montanhas altas da Áustria até a imensa planície da Holanda, vivi contrastes geológicos impressionantes, explorei cidades e vilarejos lindíssimos e me deparei com paisagens naturais que pareciam tiradas de um documentário da National Geographic.
A viagem começou e terminou com algumas noites em Paris, passando por Barcelona. Na ida, fui a um parque de diversões com Danni e, na volta, fiquei algumas noites como turista solteiro. Durante as outras três semanas, subi as montanhas com Loredana, comi uma pizza caseira deliciosa feita pelo David, me refugiei sob um toldo durante um jantar chuvoso na Alemanha com María e percorri alguns vilarejos da Holanda com Cami. Conheci as famílias dos meus amigos, os amigos dos meus amigos e até os amigos deles também. Inclusive fiz alguns novos amigos pelo caminho, muitas vezes nos lugares mais inesperados. Conversei com dois americanos em um ônibus turístico e fechei um restaurante junto com a garçonete e o cozinheiro.
Depois de passar três verões seguidos nos Estados Unidos, é verdade que senti falta da companhia dos meus amigos de lá. Mas essa viagem europeia foi o equilíbrio perfeito entre viajar sozinho, reencontrar amigos e ficar hospedado na casa de outros que, por um motivo ou outro, acabaram vivendo em diferentes cantos do continente. Eu já queria fazer um giro pelo meu continente natal fazia tempo, e justo este ano tudo se alinhou para que fosse possível. O acidente que sofri no ano passado fez com que eu ainda estivesse reaprendendo a andar na época em que, normalmente, já estaria procurando voos para os EUA. Sem falar no preço do seguro de viagem depois de uma cirurgia, que pesou bastante!
Foram férias de verão incríveis, e só foram possíveis graças a todos os amigos que me acolheram em suas casas e que me acompanharam pelo caminho. A todos vocês: muito obrigado. Em breve, já estarei novamente subindo em um trem…











