Indo de bicicleta para casa depois do trabalho, o carro à minha frente começou a frear, e eu também: nada fora do comum. Mas o freio desta bicicleta estava com defeito e travou de repente, me fazendo ziguezaguear pela rua enquanto eu lutava para recuperar o controle. No fim, não consegui, e a bicicleta caiu no chão.
O resto é meio confuso. Eu gritei, um grupo de pedestres me colocou na calçada, a polícia apareceu e logo chegou a ambulância. O diagnóstico inicial foi de que era apenas uma torção, então eu pulei (manobrando com a perna) até a ambulância e partimos, com sirenes ligadas, para o hospital. Lá me disseram que eu havia conseguido esmagar o osso em vários pedaços, e por isso fui internado durante a noite e informado de que teria que operar a perna. Enquanto os analgésicos faziam efeito, fiquei olhando para o teto, tentando acalmar o pânico e forçar o sono.
Assim começou o primeiro mês do que viraria quase meio ano de recuperação. Assim que minha mãe soube que eu precisaria de cirurgia, ela comprou uma passagem de avião e acabou ficando por mais de um mês. A presença dela foi vital enquanto eu me adaptava à nova realidade: tanto fisicamente, me ajudando nas tarefas mais básicas; quanto mentalmente, conversando para passar o tempo.
A cirurgia durou cerca de três horas, nas quais reconstruíram o osso logo abaixo do meu joelho com várias placas e parafusos. Além do mal-estar causado pelos pontos de metal na perna e pelo soro na mão, a pior parte de todo o processo foi a dor e a consequente falta de sono nos primeiros dias após a operação.
Apesar de passar as semanas seguintes cansado, dolorido e entediado ao extremo, eu estava otimista. Além da companhia da minha mãe, meus amigos apareceram com frequência, e meu quarto virou o ponto de encontro favorito do Pedro, da Sara, da Rhea, da Julia e de muitos outros. Comecei a valorizar as pequenas coisas que normalmente tomava como certas e a acompanhar meu progresso pelas menores conquistas e marcos: o caminho da recuperação virou quase um jogo.
Há muito mais que eu poderia contar e muitos mais detalhes para dar, mas vou parar por aqui por enquanto. Esses foram alguns dos meses mais desafiadores da minha vida, mas consegui superar tudo graças, em grande parte, ao amor e apoio dos amigos e da família, especialmente da minha mãe.
Amo vocês todos muito.


