Seja comendo nuggets de frango feitos no tecido elástico de um trampolim, ou seja represando um riacho para montar uma nova base secreta, minhas primeiras lembranças de passar tempo com amigos são com as irmãs Smith. Desde o dia em que uma delas apareceu com a cabeça espiando por cima do muro do jardim, Jemma e Lucy sempre foram as amigas mais antigas minhas e da minha irmã. Somos um grupo inseparável, apesar das brigas do passado e das nossas vidas adultas agitadas de hoje.
Além da dificuldade universal de marcar encontros na vida adulta, nós quatro ainda temos que lidar com a geografia complicada das nossas rotinas. Eu moro fora do país, Eleanor vive em Leeds, Lucy está em Burnley e o trabalho da Jemma a leva para todo canto. Parecia pouco provável que conseguiríamos nos reunir os quatro, muito menos que as três conseguissem vir me visitar em Madri. Apesar da quase impossibilidade, no ano passado me vi num trem rumo ao aeroporto, tomada pela emoção e com um cartaz nas mãos que dizia “Smith e Briggs”.
O que veio depois foram três dias de caos, no melhor sentido possível. Colocamos a conversa com cervejas, falamos durante horas enquanto almoçávamos e relembramos histórias na minha casa já cheia de gente. Entre papos em bares, caminhávamos pela cidade, falando sem parar como se não tivesse passado nenhum tempo desde os dias em que fazíamos bolos de barro e corríamos pelos campos atrás das nossas casas, nos anos 2000.
Tive a sorte de fazer muitos amigos ao longo dos anos, em todo tipo de situação e de todas as partes do mundo. Mas hoje percebo o quanto eu e Eleanor somos incrivelmente sortudas por ainda ter a Jemma e Lucy como amigas próximas. Com elas, conseguimos rir até chorar e assistir (pela enésima vez) ao filme da Píppi Meialonga desde que o encontramos numa fita VHS meio quebrada na sala da casa dos Smith.
Retomar esse contato tão próximo com minhas velhas amigas foi exatamente o que eu precisava naquele fim de verão do ano passado. Embora eu não soubesse na época, a visita delas marcou um ponto alto absoluto antes da queda que viria depois: mas essa história fica para a próxima entrada do blog.
Para não encerrar essa entrada com um tom triste, quero deixar aqui meu agradecimento à Jemma, Lucy e Eleanor por terem vindo me visitar e por sua amizade, carinho e apoio. Mal posso esperar para ter vocês de volta e também estou morrendo de vontade de vê-las na Inglaterra.











