Mareo

09.04.25 — Madri

Mareo

09.04.25 — Madri

Ao cair da bicicleta, meu joelho não foi a única vítima. Enquanto eu jazia na ambulância ouvindo as sirenes lá fora, minha preocupação saiu da dor na perna para o que eu poderia ter perdido na queda. Vi que estava sem um sapato, mas a enfermeira me garantiu que ele estava junto com minha mochila no chão. Então conferi meus bolsos atrás da carteira, das chaves e do celular.

Este último parecia ter sobrevivido bem, apesar da minha relutância em usar capa protetora. O vidro da frente e o de trás estavam intactos. Pensei que ele tinha saído ileso, até perceber que metade de uma das lentes da câmera havia sumido. Merda.

Mais tarde, enquanto esperava o resultado do raio‑X, comecei a tirar nervosamente os últimos fragmentos de vidro da lente quebrada, até que todo o módulo da câmera ficou exposto. Aí conferi qual das três câmeras do meu celular tinha quebrado e descobri que foi a lente de zoom 0,5x.

Meu primeiro instinto foi sair procurando um celular novo. Há um tempo eu esperava uma desculpa para aposentar meu iPhone 12, e essa parecia perfeita. Nos dias seguintes em casa, me ocupei vendo opções, desde iPhones recondicionados até Androids.

Mas então passei a tirar fotos com a câmera quebrada. Descobri que as imagens ficavam borradas, com contraste exagerado e uma perspectiva estranha. Enquanto eu manquitolava com dor e muletas, as fotos que eu fazia ficavam vertiginosas e desorientadas: exatamente como eu me sentia. Tudo parecia muito apropriado, então acabei não trocando de celular.

Estas são algumas das fotos daquele período.

O título deste post, “Mareo”, é uma palavra em espanhol que significa tontura ou vertigem. Acho que ela resume bem a minha experiência.