Gays em Nova York

17.08.24 — Nova Iorque

Gays em Nova York

17.08.24 — Nova Iorque

O trem de Vermont para NYC ia de vento em popa até que o sistema de som anunciou que uma ponte ferroviária tinha travado e que todo mundo teria que descer no meio do nada. Depois de alguns minutos me perguntando como diabos eu chegaria ao meu destino, avisaram que a gente podia subir de novo: o problema da ponte tinha sido resolvido.

Passei a primeira noite na Big Apple sozinho. Junto com o que parecia ser o resto da cidade, caminhei pela Ponte do Brooklyn enquanto o sol se punha. Resolvi voltar a pé para o hotel, o que me permitiu comprar um cachorro-quente de um sujeito esquisito que me passou a perna e cobrou seis dólares por uma salsicha minúscula. Depois de pagar 25 centavos por elas em Burlington, fiquei puto. Tive que completar o jantar com um hambúrguer barato do McDonald’s. Viva os Estados Unidos!

No dia seguinte liguei para o Kevin enquanto passeava pelo Central Park. Ele estava dirigindo desde Buffalo para se encontrar comigo em Nova York e queria dividir a boa notícia: tinha acordado cedo para garantir dois ingressos para Chicago na Broadway. Apesar de ter deixado quase todos os meus dólares na bilheteria, passei o resto da tarde fuçando as lojas da Quinta Avenida até meu amigo, muito querido e muito atrasado, chegar.

Já com o entardecer batendo à porta, fomos a alguns lugares. O primeiro foi o mercado de DUMBO, um espaço à beira da água no Brooklyn, ao lado da ponte que leva o mesmo nome. A comida era cara e o povo bem poser, mas foi um ótimo lugar para tirar selfie e provar que a gente tinha estado em NYC. Eu estava doido para o Kevin experimentar os sanduíches do Katz’s Delicatessen, então essa foi nossa segunda parada antes de terminar a noite com uns sorvetes e um passeio por Manhattan para nos sentirmos gente chique.

Chegou a manhã seguinte e, com ela, a batalha de sempre para fazer o Kevin levantar da cama. Depois de vencer essa guerra, visitamos juntos a Little Island para sofrer um pouco sob o sol de verão enquanto eu tirava algumas fotos. Tentamos nos refugiar em uns mercados ali perto, mas os preços fizeram com que nossa única atividade fosse usar os banheiros.

Então chegou a hora do espetáculo musical. Os dois gays em Nova York cantamos, dançamos e nos jogamos na pluma sem moderação. Amamos cada segundo da experiência, então decidimos continuar com a viadagem e passar no Stonewall para beber alguma coisa e mexer o corpo sob mil luzes coloridas.

Naquela tarde, otimista e completamente despreocupado com a tempestade que estava se formando, insisti para pegarmos um dos ferries municipais. Eles são pensados para quem precisa se deslocar entre os distritos da cidade, mas achei que daria para fazer um bate-volta só para ver o sol se pôr sobre Nova York. Como você pode imaginar, não houve pôr do sol nenhum sob tantas nuvens cinzentas — nuvens que logo começaram a desabar em cima da gente conforme a viagem avançava. Ao chegar ao píer no fim da linha, tivemos que correr feito loucos para nos abrigar debaixo de uma tenda até o ferry zarpar de novo. Encharcados até os ossos, voltamos de barco para o distrito financeiro e pegamos mais um pouco de comida de rua de procedência duvidosa enquanto a chuva dava uma trégua.

Foi uma noite completamente caótica para encerrar a viagem, como não poderia deixar de ser comigo e com o Kevin: somos o caos em forma de gente. Ver um musical, explorar a cidade e armar tantos circos resultaram numa estadia emocionante em Nova York, mas sei muito bem que eu e o Kevin poderíamos ir ao lugar mais entediante do planeta (Brasília, por exemplo) e, ainda assim, haveria conversa, risadas e travessuras sem fim. Só teria menos bagels.